Gatinha arranhando sofá
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Onicotomia: não faça isso com seu gato!

Onicotomia é a cirurgia de retirada das garras dos gatos. Pois é, você entendeu certo. Diferente de aparar as unhas dos gatos, a onicotomia é a remoção completa de suas garras.

A cirurgia é ilegal no Brasil, mas infelizmente há quem busque meios para fazê-la com os bichanos. E essa violência tem o intuito de responder a uma questão:

Vale tudo para fazer o gato não arranhar seu sofá?

As garras para os gatos não são tão dispensáveis como as unhas são para as pessoas. Diferente da maioria dos mamíferos, os gatos são digitígrados. Esse palavrão significa que eles literalmente “andam sobre os dedos”.

As garras são usadas para dar todo equilíbrio corporal ao gato. Os músculos, juntas, tendões, ligamentos e nervos das suas costas, ombros patas e pernas são projetados para apoiar e distribuir o peso sobre os dedos quando ele anda, corre ou escala.

As garras são da essência do felino. Retirá-las é o mesmo de cortarmos nossos pés.

Por isso o ato de arranhar é tão comum entre os felinos. Arranhar serve para alongar muito além dos músculos das patas. Essa é a única forma que um gato tem para exercitar, alongar e tonificar a musculatura das costas e ombros.

Então remover as falanges distais dos dedos (onicotomia) transforma drasticamente a harmonia, o design das patas dos gatos. Isso faz com que o ângulo com que pisem seja alterado e ainda promovam dores semelhantes aos nossos incômodos com sapatos menores que nossos pés.

Qual é o custo para os gatos de uma cirurgia dessas?

Infelizmente as complicações vão bastante além das físicas. Os problemas psicológicos também começam a aparecer em gatos que sofreram com a cirurgia de remoção de suas garras.

Complicações físicas:

  • Dor intensa e aflitiva;
  • Danos ao nervo radial;
  • Hemorragia;
  • Lasquinhas de ossos podem impedir a cicatrização;
  • Dores crônicas nas costas e juntas a medida que os músculos vão enfraquecendo paulatinamente;
  • As garras podem até crescer novamente, mas deformadas por dentro da pata, causando mais sofrimento ao gato.

Complicações psicológicas

  • Alguns gatos entram em estado de choque;
  • Mudança imprevisível de personalidade;
  • Sem as garras, começam a usar os dentes para agredir;
  • É possível que, já que não podem marcar local com as unhas que não mais existem, o farão com urina;
  • Possível aversão definitiva ao uso da caixa de areia. Devido a associação da dor ao utilizar a caixa, vão preferir urinar e defecar em local mais confortável, mas certamente menos indicado, como carpetes e camas.

A ironia de tudo isso é que os tutores que optam pela terrível cirurgia, tem por objetivo uma vida mais confortável com os gatos, já que em tese não vão mais destruir os móveis da casa. Só que na realidade, acabam entregando seus gatos a abrigos ou simplesmente abandonando-os por consequência dos problemas comportamentais desenvolvidos por causa da onicotomia.

Os problemas aumentam com gatinhos sem garras

No Brasil a prática é proibida

Mas nos Estados Unidos ela é legal. No entanto, lá isso também pode mudar em breve. No estado de Nova York a mudança da lei já começa a ter fôlego. No último dia 4 de junho (2019), legisladores nova-iorquinos votaram para tornar a onicotomia ilegal. O próximo passo é a sanção do governador.

Em contraste com a crescente opinião pública, a Sociedade de Medicina Veterinária de Nova York defende que a prática deveria ser uma opção permitida, argumentando que do contrário, mais abandonos e abatimentos de gatos serão registrados.

A remoção das garras dos bichanos já é ilegal em diversos países na Europa, como a Inglaterra, assim como também em Israel, Austrália e Nova Zelândia. Aqui no Brasil a prática é proibida pelo Cons. Fed. de Medicina Veterinária.

Larry o gato famoso do Reino Unido – mascote da Downing Street

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Como Reino Unido e EUA tem cultura tão distinta em relação aos gatos?

“A principal diferença é que nos EUA, os gatos são mantidos exclusivamente em ambientes fechados”.

Sarah Ellis, especialista em comportamento felino da International Cat Care

Já na Inglaterra, cerca de apenas 20% dos gatos vivem completamente fechados. Pesquisas também concluíram que a maioria dos europeus tratam de gatos com mais liberdade, permitindo passeios ao ar livre.

Judd Birdsall, um ex-diplomata dos EUA que hoje vive no Reino Unido percebeu isso prontamente.

“Ao passear por um vilarejo no Reino Unido, você vê muitos gatos do lado de fora. Não consigo me lembrar de ter tido essa visão nos EUA”,

disse Birdsall à BBC

Especialistas afirmam que americanos que vivem em cidades tem maior probabilidade de manter os gatos “presos” em casa porque em geral moram em altos prédios. Já os americanos de áreas rurais procuram evitar o contato dos felinos com predadores naturais como coiotes e lobos.

Mas também há uma diferença cultural, observa Birdsall.

“Para os americanos, é uma questão de liberdade e conveniência – o direito à liberdade de tomar decisões em termos de como você cria seu gato; e conveniência, porque uma vez que você remove as garras, você não precisa se preocupar mais com você ou com a mobília arranhada.

Já na Inglaterra, a consideração de bem-estar do gato tem peso maior sobre a preocupação de conveniência e liberdade do dono. Por isso é impensável tirar suas garras na Europa”.

Judd Birdsall
As garras permitem que o gato fortaleça os músculos das costas e dos ombros

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Existe alguma situação em que a onicotomia deveria ser permitida?

Como defendido pela Sociedade Veterinária de NY, algumas entidades são contra a proibição da retirada das garras dos gatos (onicotomia). Eles defendem que ela deveria ser permitida como último recurso, antes do abandono do bichinho.

No Reino Unido, a veterinária Gunn-Moore disse que só realizou o procedimento em dois gatos. Isso porque uma cliente idosa precisou ficar em um asilo que não permitiria a entrada dos animais se não se tivesse a garantia de que não arranhariam a mobília.

Os gatinhos eram acanhados para serem realojados e o lar de idosos não aceitou outra opção. Então Gunn-Moore requisitou permissão para realizar o procedimento junto ao Royal College of Veterinary Surgeons. O órgão que representa os veterinários no Reino Unido permitiu que o procedimento fosse realizado nesse caso específico.

“O argumento foi para impedir que os dois gatos fossem sacrificados e que a mulher perdesse seus bichinhos. Mas a operação me deixou incomodado o tempo todo”,

disse Gunn-Moore

A retirada das garras dos gatos tem que ser um último recurso absoluto, defende a veterinária.

No entanto, é muito triste muitas pessoas buscarem essa solução porque não se dão ao trabalho de treinar seus gatos – ou de não quererem arranhadores distribuídos em seus apartamentos.

Treine seu gato a usar arranhadores e evite estragos na mobília

“O normal é que os gatos arranhem. É dessa forma que eles marcam seu território, com seu cheiro e marcas de garras”,

diz Sarah Ellis

Para os gatos, arranhar também significa manter as unhas afiadas e alongar os músculos das costas. Os donos de gatinhos podem treinar seus animais a usar os arranhadores. O ideal é que, se escolhidas as torres, que tenham ao menos a altura do gato. Assim eles podem se esticar contra a peça.

Mas como cada gato é diferente entre si, eles têm preferências também distintas pelo tipo de material. Se a torre é horizontal ou vertical, por exemplo.

É preciso também pensar sobre a localização. As torres verticais devem ser posicionadas em locais proeminentes, onde eles adoram marcar seus territórios.

Tipos de arranhadores para gatos

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Como é com seus gatinhos? Alguma vez você pensou em fazer a retirada das garras do seus bichinhos? Compartilhe suas experiências e também o que você pensa a respeito com a gente nos comentários abaixo.

Fonte:
BBC Brasil
Resgatinhos

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