Estudo comprova que cães tem emoções
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Estudo comprova: “cachorro também é gente”

Neurocientista que estudou emoções de cães com ressonância magnética conclui: “cães também são pessoas”.

Um estudo realizado na Universidade de Harvard por Gary D. Sherman e Jonathan Haidt concluiu que as pessoas que gostam mais de pets que de pessoas, e aqueles que conversam com os animais de estimação regularmente, são mais inteligentes. Você nos achava loucos né? 🙂

[ Veja também: Humanos amam mais os cães que pessoas ]

Dr. Berns faz carinho em cachorrinho que participou da experiência
Dr. Berns com um dos cachorros utilizados na experiência

“Traga minha comida, humano”

A maioria dos donos de cachorros vai encher o peito para elogiar seus pets. E se você perguntar aos donos se acham que seus cachorros gostam deles, a resposta certamente será positiva.

Mas será que os cães sentem mesmo algum tipo de emoção positiva em relação ao homem? Essa questão intriga cientistas há muito tempo. Podemos pensar que todo aquele entusiasmo do cão quando chegamos em casa seja nada além de funcional. Tipo: “lá vem meu distribuidor ambulante de comida e água”.

Cachorros sensíveis

Em uma pesquisa inovadora, que pretende mudar para sempre a forma como vemos os cães, o neurocientista Gregory Berns descobriu que “cães são como pessoas”. A conclusão veio depois de exames de ressonância magnética em mais de uma dúzia de cachorros. Os resultados demonstraram que, a mesma região cerebral responsável por emoções positivas nos seres humanos, é também ativada nos cães.

Computador integrado aos aparelhos da pesquisa exibe resultados da ressonância magnética
Imagens do mapeamento cerebral dos cães no momento em que o estudo transcorria

Para inferir essa sensibilidade do animal, e outras características neurológicas, os cientistas sempre confiaram no comportamento do animal. Não é possível perguntar ao cachorro como ele se sente, certo? Por isso essa é uma área da ciência extremamente difícil de se extrair resultados definitivos. Ao utilizar a ressonância magnética no animal, a “pergunta” encontra a “resposta” diretamente em sua fonte: o cérebro.

Realizar ressonância magnética em animais é extremamente complicado. As máquinas são apertadas, claustrofóbicas e em geral desconfortáveis – mesmo para humanos. Então para que funcionem, é preciso que o animal fique completamente imóvel. Você pode imaginar a dificuldade de manter um Labrador hiperativo quieto enquanto há uma série de barulhos e maquinários desviando sua atenção. Geralmente os veterinários anestesiam os cães que precisem passar por operações como essa, no entanto nesse caso, o monitoramento emocional é simplesmente inútil se o cão estiver “desligado”.

Cão no momento em que teria seu cérebro escaneado
Os cães foram submetidos a Ressonância Magnética para ter sua atividade cerebral lida

As emoções dos cachorros são iguais as dos seres humanos

Dr. Berns abordou a questão treinando meticulosamente os cães a partir de exercícios de recompensas. Assim seria possível que o cão ficasse parado enquanto a ressonância magnética operasse. Dentro do scanner, a atividade cerebral do cão era medida a partir de um sinal com as duas mãos (que eles aprenderam ser associada à comida), bem como também a partir de aromas de outros cães e humanos familiares e desconhecidos.

Tanto o cérebro humano, quanto o dos cães, são surpreendentemente semelhantes em relação à sua estrutura em um ponto específico: o núcleo caudado. Localizado entre o tronco cerebral e o córtex, esse núcleo rico em dopamina desempenha papel fundamental na antecipação de coisas que nos agradam, como comida, amor e dinheiro. Enfim, emoções positivas.

Dr. Gregory Berns com cachorro durante sessão de Ressonância Magnética
Dr. Berns com um dos cães utilizados na pesquisa

“Muitas das mesmas coisas que ativam o núcleo caudado humano, associadas à emoções positivas, também ativam o núcleo caudado do cachorro. Chamamos isso de homologia funcional e pode ser uma indicação de que, sim, cães tem emoções”.

Berns escreveu em seu artigo para o jornal New York Times.

Em resposta a sinais manuais que indicavam comida, assim como os cheiros de pessoas familiares, a atividade no núcleo caudado do cachorro aumentou. Em testes preliminares, quando o dono retornou de uma saída momentânea, já foi suficiente para notar ativação no cérebro do pet.

A capacidade de experimentar emoções positivas, como amor e afeto, significa que os cães tem nível de sensibilidade comparável ao de uma criança. Essa habilidade sugere que precisamos repensar em como tratamos nossos cães. Cachorros sempre foram tratados como propriedade.

Dr. Gregory Berns faz carinho em cachorro utilizado na pesquisa. Foto utilizada na matéria do The NY Times.

Então, cachorro NÃO É objeto!

Embora exista uma lei federal americana (Animal Welfare de 1966), algumas leis em alguns estados dos Estados Unidos ainda fortalecem a visão de que os animais são coisas, objetos, que podem ser descartados quando assim desejarem os tutores mais irresponsáveis.

“Mas agora, com a utilização da tecnologia para afastar as limitações do nosso conhecimento, não há mais como negar as evidências. Cães – e muito provavelmente outros animais (especialmente os primatas) parecem sentir as emoções como nós. E isso significa que devemos reconsiderar tratá-los como meros objetos”

Dr. Gregory Berns

Veja também:
6 comandos rápidos e 5 livros para ajudar você a adestrar seu cachorro


Então podemos concluir que os cães nos amam?
Essa certeza ainda não temos, mas da próxima vez que você vir seu cachorro abanando o rabo, saiba que está cientificamente comprovado que ele está feliz 🙂

Ted Talks: Dr. Gregory Berns apresenta os resultados de sua pesquisa

Gregory Berns é professor de neuroeconomia na Emory University e autor do livro “How Dogs Love Us: A Neuroscientist and His Adopted Dog Decode the Canine Brain“. Até o momento, sem versão traduzida ao português.

Livro How Dogs Love Us de Gregory Berns
How Dogs Love Us conta a experiência de Gregory Berns com a pesquisa.

Fonte:
Healthy Holistic Living

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